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Dois pesos, duas medidas: quando o manifestante vira terrorista e a facção vira “problema social”

  • Foto do escritor: Cultura FM
    Cultura FM
  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Na Cultura FM a gente tem um lema: microfone aberto é pra falar a verdade, doa a quem doer. E a verdade hoje tem nome: hipocrisia. O mesmo governo que correu para carimbar manifestante de “terrorista” é o que torce o nariz quando os Estados Unidos chamam CV, PCC e outras facções pelo nome que elas merecem: organização terrorista.

A régua está quebrada. E o povo está vendo.


O dia em que a faixa virou “ato terrorista”


Em janeiro de 2023, o Brasil viu cenas lamentáveis em Brasília. Condenamos depredação. Lei é pra todos. Mas o que veio depois escancarou o roteiro. Em poucas horas, autoridades e parte da imprensa passaram a tratar todo ato como “terrorismo” e “golpe de Estado”.

O Jornal Nacional, da TV Globo, abriu sua edição de 09/01/2023 chamando os atos de “terrorismo” e “atentado à democracia”. O G1 repercutiu falas de ministros usando o mesmo termo. Até aí, manchete corre solta.

O problema não é nomear o crime. É escolher quando usar a palavra mais pesada do dicionário.

Resultado: manifestantes presos em massa, muitos sem julgamento até hoje, com penas pedidas pelo Ministério Público que chegam a 17 anos de prisão. Idosos com Bíblia na mão, dona de casa com batom, gente que nunca tinha passagem pela polícia, virando réu por “abolição violenta do Estado Democrático de Direito” e “golpe de Estado”. Em alguns casos, a prova era uma selfie na Praça dos Três Poderes.

17 anos. É mais do que muito homicida pega no Brasil.


Quando os EUA falam “terrorista”, o Planalto fala “soberania”


Corta para abril de 2025. O governo dos Estados Unidos discute incluir o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, na lista de organizações terroristas estrangeiras. Motivo: tráfico internacional de drogas, armas, lavagem de bilhões e mortes em série. Nos EUA, essa classificação congela bens, fecha o cerco financeiro e trata integrante como ameaça à segurança nacional.

A resposta do Palácio do Planalto? O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou à imprensa, em viagem oficial em maio de 2025, que “não aceita que de fora fiquem dando palpite no Brasil” e que “o combate ao crime é questão de soberania nacional”. A Globo e o Jornal Nacional repercutiram a fala no mesmo tom: “governo reage a intenção dos EUA”.

Tradução: quando é manifestante com bandeira do Brasil, o governo pede cadeia e chama de terrorista no dia seguinte. Quando é facção com fuzil, rota internacional de cocaína e tribunal do crime, o governo fala em “soberania” e “não aceita palpite”.

Ué. Terrorismo virou questão de CEP?


A frouxidão que tem nome e sobrenome: André do Rap


Se pena severa é pra um lado, a frouxidão tem crachá do outro. Lembra do André do Rap? Apontado pelo Ministério Público de São Paulo como um dos chefes do PCC, condenado a mais de 10 anos por tráfico internacional. Em outubro de 2020, foi solto por decisão monocrática do ministro Marco Aurélio Mello, do STF, com base no artigo 316 do Código de Processo Penal. Ficou 5 dias na rua. Sumiu. Até hoje é procurado pela Interpol.

O próprio Jornal Nacional exibiu a reportagem em 11/10/2020: “STF manda soltar chefe do PCC”. O ministro relator na época disse que “a lei tem que valer pra todos”. Valeu. André do Rap agradeceu fugindo.

Compara: dona de casa que tirou foto em Brasília está presa há mais de 1 ano, sem julgamento, com pedido de 14 anos de cadeia. Traficante internacional ligado ao PCC, com condenação, ganhou liberdade em despacho de fim de semana.

É esse o “Estado Democrático de Direito” que defendem no discurso?


Números que a grande mídia não coloca lado a lado


Manifestantes de 08/01: mais de 1.400 presos nos primeiros dias. Até junho de 2026, o STF já condenou mais de 200 pessoas. Penas variam de 3 a 17 anos. Muitos réus primários, sem antecedentes.

PCC e CV: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, as duas facções lucram mais de R$ 15 bilhões por ano só com droga. Dominam portos, fronteiras e bairros inteiros. Ordenam chacinas, explodem bancos, matam policiais. Quantos chefes você viu pegar 17 anos em regime fechado nos últimos 2 anos? Quantos foram chamados de “terroristas” no Jornal Nacional?

A conta não fecha. A régua é de borracha.


O dicionário seletivo do poder


Quando interessa, a palavra “terrorismo” sai fácil. Serve pra enquadrar adversário político, pra inflar manchete, pra justificar prisão preventiva sem data pra acabar. Quando não interessa, a palavra some. Vira “facção”, “grupo criminoso”, “problema social complexo”. O mesmo G1 que escreveu “atos terroristas” em janeiro de 2023, usa “suspeitos de integrar o PCC” em matéria de junho de 2026 sobre apreensão de 2 toneladas de cocaína.

Suspeito. Não terrorista. Entendeu a diferença?


A Cultura FM não passa pano pra lado nenhum


Depredou patrimônio público? Tem que responder. É crime. Traficou droga, matou e fatiou rival? É crime também. Só que um ganha cadeia com transmissão ao vivo. O outro ganha audiência de custódia, tornozeleira e habeas corpus.

O Pastor Marcos Alessandro sempre diz no ar: “Justiça que não é igual, é vingança”. E o ouvinte da Cultura FM sabe fazer conta. Sabe que tem algo muito errado quando o batom pesa mais que o fuzil.

O Brasil não precisa que os EUA venham dizer quem é terrorista. Precisa que Brasília pare de fingir que não vê o terror que já está dentro de casa. Precisa parar de usar a lei como porrete pra um lado e como travesseiro pro outro.

Enquanto manifestante pega 17 anos e chefe do tráfico pega habeas corpus, a única coisa sendo golpeada de verdade é a inteligência do povo brasileiro.

E o povo não é bobo. O povo está ouvindo. No rádio, no zap, na rua. E vai cobrar essa conta.

Equipe de Jornalismo Cultura FM – 26 de junho de 2026

 
 
 

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